sexta-feira, janeiro 30, 2009

Televisão de qualidade para notívagos














Foi numa dessas intermináveis noites de insônia que descobri excelentes programas de televisão. Aquela programação cultural que todo mundo vive reivindicando existe sim! O único probleminha é o horário... bons programas passam após às 2h da manhã. Ou seja, quem precisa levantar cedo para trabalhar e estudar, certamente não assiste TV nesse horário...
Semana passada, por volta de 3h da manhã, vi na TV Futura, canal 30 da Net,um documentário muito bom com a jovem musicista brasileira Andrea Drigo (foto), que eu ainda não conhecia.
Andrea toca violão e piano, canta e tem formação em música erudita, MPB, ritmos africanos e indianos e mais num monte de ritmos. Ela é acompanhada pelo instrumentista Marcos Santhuryus, que foi aluno de Wagner Tiso e Ravi Shankar, entre outros grandes. Ele passou 12 anos entre Europa e Índia, estudando música.

Andrea está lançando o primeiro CD solo: A Dança, onde apresenta uma fusão de diversos ritmos, que resulta num som harmonioso, tendendo para o oriental, pontuado pela cítara e pelo vocal, que lembra os mantras indianos.
Andrea contou que começou a estudar música aos sete anos de idade. O pai dela também é músico profissional, mas teve que deixar a música e ir trabalhar como vendedor, para poder sustentar a família, e não poupou esforços para que a filha pudesse estudar.
Pelas quatro músicas que o documentário mostrou, concluo que certamente o sacrifício do pai de Andrea Drigo valeu a pena, ele deve estar muito orgulhoso da filha. Não creio que ela fique famosa por aqui, pois o mercado brasileiro só valoriza aquelas porcarias de massa, feitas para anencéfalos...

E me lembro de um programa que eu adorooooooooooo e passa super tarde (por isso quase não assisto), é o Provocações, do genial Antônio Abujamra (foto), na TV Cultura. Madrugada dessas, após uma entrevista com um psicanalista maravilhoso, "Abu" disparou: "nosso entrevistado de hoje expôs idéias incríveis, pena que a esta hora não tem ninguém nos assistindo", e deu uma gargalhada gostosa, ao estilo "Havengar". rssssssssss
Adoro o Abu e também adoro provocações. kkkkkkkkkkkkkkkk

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Réquiem para Isaac Benchimol


É muito difícil dar adeus a uma amigo querido. Hoje estou passando por essa dor novamente. Mesmo assim, sinto necessidade de contar para o mundo quem foi meu amigo Isaac Benchimol. Ele foi um vencedor: venceu a miséria, venceu a fome, venceu a seca do nordeste e todos os obstáculos que a vida lhe apresentou, só não conseguiu vencer a morte, e partiu "pro andar de cima" essa noite, num infarto fulminante, durante um jogo de futebol com amigos, aos 62 anos de idade.
Dr. Isaac era promotor de justiça e professor de Direito Penal, aqui em Goiânia. Destemido e esperto, como exige seu ofício, ele não tinha medo de ninguém e sabia viver. Tive o privilégio de conviver com ele durante todos esses anos de profissão.
Por um tempo, diariamente repetia-se uma cena hilária: eu subia ofegante as escadas da Associação do Ministério Público (onde fui assessora de comunicação, e ele diretor). Ao chegar no topo da escada, lá estava dr. Isaac sentado numa poltrona, tranquilamente fumando seus cigarros matinais.
Todos os dias eu lhe implorava para parar de fumar, e a resposta era a mesma: "Querida, você não fuma, tem asma e vive com falta de ar; eu fumo duas carteiras por dia, jogo futebol e tenho uma saúde de ferro". Hoje veio a resposta, velho teimoso!

De menino de rua à promotor de justiça

Isso mesmo, o elegante dr Isaac Benchimol foi menino de rua. Cearense, ainda criança mudou-se para Goiânia com os pais e os oito irmãos, fugindo da seca. Aos dez anos de idade, ele engraxava sapatos nas ruas, para ajudar no sustento da família. Mesmo assim, Isaac aprendeu ler e escrever, entretanto não podia frequentar a escola. “Na escola do mundo, não se tem opção. A prioridade é a sobrevivência, e nas ruas a tentação para praticar pequenos vícios era muito grande, mas consegui sofrear esses instintos”, dizia orgulhoso.

Antes de chegar no Ministério Público Estadual, Isaac Benchimol trabalhou como cobrador de ônibus, operário e mecânico, e foi trabalhando de dia e estudando à noite, que concluiu o segundo grau e fez curso técnico de contabilidade. Sempre apaixonado pelo futebol, chegou a jogar no Goiânia Futebol Clube, mas por pouco tempo, pois queria estudar mais.

Foi muito difícil concluir o ensino médio, mas para Isaac o curso técnico era pouco, seu sonho era fazer uma Faculdade. Com muito esforço, em 1971 entrou para o curso de Direito da Universidade Católica de Goiás. Trabalhava num escritório de contabilidade de dia e estudava à noite. Mas logo casou-se e teve que deixar a faculdade devido às limitações financeiras. Três anos depois, retomou o curso, sempre trabalhando como contabilista.

Casado, e os cinco filhos chegando aos poucos, Isaac conseguiu, com muito esforço, formar-se em Direito e passar na OAB. Somente algum tempo depois de formado, ele deixou a contabilidade para advogar. Mas continuou estudando e foi aprovado no concurso para promotor de justiça.

Mesmo sendo da minha altura (1,60 m), dr. Isaac carinhosamente me chamava de Baixinha. Sua voz ecoa na minha cabeça: "Tenha calma Baixinha, tenha jogo de cintura, tenha diplomacia, o jogo é sujo..."

E como o jogo é sujo! Assisti, horrorizada, um grupo de colegas do dr. Isaac tentando derrubá-lo, mas ele era forte e sabia se defender. Descanse em paz, guerreiro.

domingo, janeiro 25, 2009

Sim. Nós podemos.



Chorei de emoção quando vi, pela TV, aquele negro sendo empossado no posto político mais alto do mundo. Obama não estava sozinho, além da sua família e de todos os negros presentes, ainda estavam lá Martin Luther King, Steve Biko, Nelson Mandela, Gandhi, Zumbi dos Palmares e milhares de pessoas que lutaram pela democracia racial no mundo, em todas as épocas.
Como será o governo dele, eu não sei, só sei que pior que o Bush é impossível. Para mim, a posse já foi um marco histórico por si. A Klu Klux Klan teve que se calar diante da família Obama. Os racistas nojentos estão tendo que engolir a vitória de um mestiço. E fico mais feliz ainda que a esposa de Obama também seja negra, pois aqui no Brasil, negro rico logo "compra uma loira popozuda" pra exibir por aí...

O racismo, para mim, é um dos piores preconceitos que podem existir. Julgar uma pessoa pela cor da pele é um absurdo injustificável!
Fui criada em São Paulo, onde o racismo é duro! Quando era criança, eu chorava muito quando ouvia coleguinhas me dizerem o seguinte: "minha mãe não quer que eu brinque com você, porque você é preta". Eu ouvi isso várias vezes. E só quem passou por isso sabe o que significa. E na escola, ainda tinha que aturar os apelidos: cabelo de bom-bril, cabelo de arame, dente de coelho. Logo entendi que nunca seria "bonita", então optei por estudar para "ser inteligente", na minha cabecinha de criança discriminada eu pensava assim.
Em São Paulo também é comum ouvirmos a expressão:"pessoa de cor". Que é uma maneira "elegante" da "raça pura" mencionar uma pessoa negra. Ora, que ridículo, toda pessoa tem cor, seja preto, branco, amarelo, vermelho, toda pele tem cor, depende da quantidade de melanina no corpo! De vez em quando ainda ouço "elogios" assim: "apesar da sua cor, você é muito inteligente"... Quando dou a resposta merecida, ainda há quem me chame de "mal educada"!
Sim, eu estou muito feliz pelo Obama. Chorei quando ele fez o juramento, de cabeça erguida. O processo eleitoral nos EUA é longo e massacrante e Obama venceu honestamente. Uma vitória de toda uma raça. Um marco na história mundial. Sinto-me vitoriosa também.




Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição. (...) Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã.

Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.

Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

(...) E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espírito negro: "Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

domingo, janeiro 18, 2009

Feijoada de Krishna




Que a Rede Globo dá as ordens no Brasil não é novidade... Amanhã estréia a nova novela das 21h, cujo cenário é a Índia.
Como sempre acontece por aqui, a novela dita a moda. Não será de se admirar que as brasileiras logo adotem o sári como vestimenta (pelo menos até o final da novela) o que não seria ruim, pois assim andariam “mais cobertas”. rrssssssss
Eu adoraria que os brasileiros experimentassem a comida indiana, principalmente a maha prasadam vegetariana, que é muito saudável! Uma parte da Índia come carne, e outra parte é vegetariana.

Durante alguns anos freqüentei o Movimento Hare Krishna e foi ajudando a mataji Mahabaga na cozinha do templo e passando férias em Nova Gokula (comunidade rural do Movimento, em Pindamonhangaba, São Paulo) que aprendi a cozinhar.
Amigos, vou lhes deixar hoje um presentão: a receita da maravilhosa feijoada vegetariana de Krishna. Aproveitem, porque essa quem sabe fazer não ensina...
Só que para ser de Krishna, o alimento tem que ser preparado seguindo um ritual, mas como não estou querendo doutrinar ninguém, vou deixar a receita adaptada. Vale a pena experimentar. Se alguém se interessar pelos detalhes ritualísticos do preparo da maha prasadam, é só me dizer que eu explico.
• Obs, a comida de Krishna não leva alho e nem cebola.

Feijoada de Krishna
Ingredientes (para servir 6 pessoas):
1/2 kg de feijão preto
3 bananas da terra picadas
1 batata doce picada em pedaços grandes
1 xícara (chá) de abóbora picada
1 abobrinha verde picada
½ coco seco picado
1 beterraba grande picada
6 bolinhas de queijo provolone picadas
½ kg de manteiga de leite
2 folhas de louro
Sal a gosto
Tempero indiano

Modo de fazer
- Leve o feijão ao fogo, mas retire meio duro, antes dele cozinhar completamente.
- Refogue cada ingrediente na manteiga de leite, separadamente (primeiro a beterraba, depois a abobrinha e assim sucessivamente).
- Junte os ingredientes refogados e o tempero indiano ao feijão e volte para o fogo, para acabar de cozinhar.
- Depois da feijoada cozida, junte o queijo provolone e a banana (também frita na manteiga), dê uma fervura e pronto!
- Sirva com arroz branco, farofa de couve e laranja.

Tempero indiano:
Misture bem 1 colher (sopa) de cada uma dessas especiarias:
- Canela em pó
- Cravo moído
- Sementes de coentro (inteiras)
- Cardamomo
- Cominho
* Quem gosta mais picante, pode acrescentar 1 colher de pimenta calabresa.

- Refogue a mistura numa colher (sopa)de manteiga derretida e o tempero está pronto para o uso.

* Observações: A abóbora e a abobrinha podem ser substituídas por inhame, cará, mandioquinha, ou mandioca.
* Se quiser, pode adicionar "carne de soja" previamente hidratada, aquela em "pedaços grandes".

Haribol!

quarta-feira, janeiro 14, 2009

A igreja da minha infância


BlogBlogs.Com.Br

“Papai-do-céu, eu nunca vou ser igual à música do padre Zezinho.
Eu nunca vou me esquecer da nossa amizade e nunca vou deixar de rezar e de conversar com o Senhor e com Nossa Senhora. Também nunca vou chegar em casa chateada e cansada.”


Essa foi uma redação que escrevi há exatos 32 anos atrás...
Na ocasião, eu fazia catecismo com a irmã Lúcia, uma freira paulina, de quase 80 anos de idade, à época. Eu freqüentava a igreja católica perto da minha casa, no bairro Bosque da Saúde (foto acima), na zona sul de São Paulo. Ali era a minha comunidade. Além das aulas de catecismo, nós cantávamos nas missas de domingo de manhã, celebradas pelo padre Freitas, um jovem muito bonito. Também tinha as animadas festas juninas e as quermesses. Eu participava de tudo, juntamente com as outras crianças católicas do bairro. A vida era uma festa!
Aprendíamos muito com a irmã Lúcia,uma velhinha magrinha,baixinha e super animada, uma educadora que entendia muito do universo infantil. Ela observava nossa vocação. Como sempre gostei de escrever, ela me incentivava ao máximo e me pedia para escrever sobre as letras das músicas que ensaiávamos para a missa, a maioria do padre Zezinho.
Também fazíamos passeios em chácaras e parques. E foi num desses passeios que conheci o padre Zezinho. Eu deveria ter uns 9 anos de idade. Foi paixão à primeira vista. Lembro que após o almoço ele tocou violão e cantou para a criançada. Cheguei em casa saltitante, contando as novidades para meus pais e minha avó.
Anos mais tarde, fui ao show do padre Zezinho, já aqui em Goiânia, não me lembro o ano, talvez no início dos anos 90. Foi no Ginásio Rio Vermelho, que estava lotado não só de católicos, mas também de pessoas de outras religiões.
Eu estava ansiosa para ver o ídolo da minha infância. E fiquei surpresa quando ele entrou no palco chorando. O padre Zezinho não conseguiu cantar a primeira música até o final, chorava muito. Então ele desculpou-se e explicou que havia poucos minutos que tinha sido avisado, por telefone, que a irmã mais velha dele havia morrido. Parece-me que ela escorregou no banheiro e bateu a cabeça, algo assim.
Nesse momento, me conscientizei de que o padre Zezinho é um ser humano, como eu e, pela segunda vez, me apaixonei por ele. Lembrei-me disso porque o vi hoje cedo na TV. Ele tem um programa, às 7h45 da manhã, na TV Aparecida, canal 20 da NET.
Infelizmente, a música do padre Zezinho estava certa: eu chego em casa chateada e cansada, e de rezar não tenho nem vontade. Muito antes daquele show aqui em Goiânia, eu já havia me afastado da igreja católica.

Há dois anos, andando sozinha pelo bairro da minha infância, fui até a igreja Nossa
Senhora da Saúde. Já fazia 25 anos que eu não ia lá. À medida que me aproximava, eu ia voltando no tempo. De repente, me deu a sensação de que era criança de novo e que encontraria todos ali, envolvidos nos preparativos da festa junina.
Quando cheguei à igreja, estava tudo fechado e não tinha ninguém. A porta da casa do meu Pai estava fechada. Sentei na escada e chorei desoladamente. Eu não tinha mais ninguém.

Maria da minha infância



Eu era pequeno, nem me lembro
Só lembro que à noite, ao pé da cama
Juntava as mãozinhas e rezava apressado
Mas rezava como alguém que ama
Nas Ave - Marias que eu rezava
Eu sempre engolia umas palavras
E muito cansado acabava dormindo
Mas dormia como quem amava

Ave - Maria, Mãe de Jesus
O tempo passa, não volta mais
Tenho saudade daquele tempo
Que eu te chamava de minha mãe
Ave - Maria, Mãe de Jesus
Ave - Maria, Mãe de Jesus

Depois fui crescendo, eu me lembro
E fui esquecendo nossa amizade
Chegava lá em casa chateado e cansado
De rezar não tinha nem vontade
Andei duvidando, eu me lembro
Das coisas mais puras que me ensinaram
Perdi o costume da criança inocente
Minhas mãos quase não se ajuntavam

O teu amor cresce com a gente
A mãe nunca esquece o filho ausente
Eu chego lá em casa chateado e cansado
Mas eu rezo como antigamente
Nas Ave - Marias que hoje eu rezo
Esqueço as palavras e adormeço
E embora cansado, sem rezar como eu devo
Eu de Ti Maria, não me esqueço. (padre Zezinho)

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Yanni: Before The Night Ends

Eu não poderia deixar de registrar aqui a belíssima “Before The Night Ends”, que o meu amado Yanni compôs para sua mãe, Felitsa Chryssomalis, falecida há dois anos, após um ataque cardíaco.
Quem não se lembra da simpática senhora, sempre sorridente, acompanhando o filho nos shows? Na juventude, Felitsa era cantora lírica e pianista, apresentava-se na rádio local, (em Kalamata/Grécia) mas teve a carreira interrompida, logo no início, por causa da guerra. Foi ela que ensinou música aos três filhos, que cantavam no coral da igreja católica otodoxa, quando crianças. Depois de adultos, somente Yanni continuou na música, o primogênito Yorgo e a caçula Anka seguiram outras profissões.
Esse clip é de uma emoção indescritível. A voz melodiosa de Leslie Mills, o piano sentido de Yanni e as imagens da família na Grécia, combinação perfeita.
São fortes as cenas do patriarca Sotiris passeando com o filho pelas oliveiras, e de Felitsa cozinhando na intimidade do lar (a mussaká dela é famosa).
E por fim, Sotiris (que é artista plástico) pintando o retrato da esposa quando jovem. Quase sempre me faltam palavras diante de grandes emoções. Deixo aqui o clip e a letra traduzida de “Before the night ends”.

Antes que a noite termine

Eu fecho os olhos
Para ver o mundo
Eu fecho os olhos
Então, não vai doer
Estou velejando no azul do oceano
Voando para você

Eu recupero o fôlego
Sob a lua cheia
Uma estrela que brilha
Então, prazer em conhecê-lo
Talvez eu sempre sonhasse
Que queria o amor aqui

Antes da noite terminar
Querida o novo dia amanhece
Como eu espero
Como eu espero
Sair deste infindável azul
De alguma maneira eu vou encontrar-te
Antes da noite terminar
Antes da noite terminar

Mais do que algumas vezes,
eu escolhi percorrer a pé uma estrada tortuosa
Mas eu quero ir para longe
Eu quero ir para o amor

Antes da noite terminar
Querida o novo dia amanhece
Como eu espero
Como eu espero
Sair deste infindável azul
De alguma maneira eu vou encontrar-te
Antes da noite terminar
Antes da noite terminar

Feche os olhos
Nunca vou deixá-la

Antes da noite terminar
Espero encontrá-la

sábado, janeiro 10, 2009

A vida não para... Será que temos tempo a perder?

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...



(Paciência/Lenine)

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Change: É tempo de mudança...

“Ainda procuro mover as pessoas emocionalmente e tocar seus corações. Minha música não é complexa ou lógica. É sobre emoção e comunicação. Acho que esse é o sentido da vida, o sentido de ser um artista é a comunicação e, se podemos tocar almas e corações, modificar estados de espírito, mover pessoas, afetá-las, fazê-las se sentirem melhores, este é o sentido da vida de um compositor.”
As palavras acima são do maestro grego Yanni Chryssomallis, um dos meus preferidos, em entrevista publicada no site www.soniachinaglia.com.br
Yanni ficou conhecido mundialmente por apresentar grandes concertos em locais históricos como a Acrópolis, na Grécia; no pátio do Taj Mahal, na Índia e na Cidade Proibida, na China. Ele ganhou a atenção do mundo com sua música universal, misturando clássico, jazz , rock e percussão latina, numa explosão de sonoridade instrumental. O resultado sempre foi um bálsamo para os meus ouvidos.
Mas “meu amado” Yanni também mudou de estilo, após viver um inferno astral na sua vida particular. Há cerca de dois anos, ele teve seu fundo de poço com a prisão, acusado de violência doméstica, após bater na namorada (uma bailarina brasileira, com quem viveu um estrondoso “affair”). Dois meses depois, sua mãe, Felitsa, morreu de ataque cardíaco.
Com isso, Yanni, que é budista, se recolheu na sua terra natal, Kalamata, na Grécia, e ressurgiu um ano depois, muito melhor, se bem que já era excelente!
Agora sem bigode e de cabelos curtos, o grego está compondo músicas com letras. Até se arriscou a compor em espanhol e italiano, e contratou quatro cantores incríveis, dentre eles o brasileiro Nathan Pacheco.
O novo show em pouco lembra os anteriores. Carregado de paixão, “Voices” traz até os cantores Chloe e Ender Thomas dançando e cantando um tango estilizado. E Chloe esbanja sensualidade nas suas coreografias, bem como no figurino...(Uau!!!, será ela a musa da vez????)
E é a belíssima música “Change” , na voz deliciosa de Chloe, que registro aqui no meu cantinho. É sempre bom ter em mente que as mudanças, quase sempre doloridas, são fundamentais para nosso crescimento. Que 2009 seja um ano de mudanças para muito melhor. Amém!

Change

How could I ever know
I would find myself alone
Facing your daemons as well as mine
Wishing for the past that words cannot find.

But somewhere in the night
The music in my mind comes alive
I hear love's haunting lullaby.
And it sings of a time we once knew
A time when all I could breathe was you
But seasons never remain the perfect shade
Our love's not the same so we must
Change...change...change

How could I ever know
That with time you would go
Leaving me to find what
Was missing in between our lives

But somewhere in the night
The music in my mind comes alive
I hear love's haunting lullaby
And it sings of a time we once knew
A time when all I could breathe was you
But seasons never remain the perfect shade
Our love's not the same so we must
Change...

Once we had summer in the fall
Now my heart knows what it's like
To lose it all...

domingo, janeiro 04, 2009

Hoje só quero ser backing vocal da Janis Joplin

Hoje amanheci com vontade de cantar com Janis Joplin. E cantar bem alto. Que se danem os ouvidos dos vizinhos! Que se dane o mundo! Hoje é meu dia de ser backing vocal da doidona. É dia de soltar o grito preso na garganta e exorcisar os demônios interiores.
Come on! Come on! Come on!
E logo me lembro das animadíssimas festas do Centro Acadêmico de Jornalismo da UFG, há quase duas décadas (passou rápido! Os meninos estão carecas e barrigudos e as meninas mais bonitas... rssssss). CA de Jornalismo, também conhecido como Centro Alcóolico, era o habitat natural da minha turma (1990). Por ali sempre tinha garrafões de vinho da pior qualidade (os mais baratos, pois ninguém tinha dinheiro rsss). Não sou alcóolatra, nunca fui, e nem serei, mas nunca dispensei a bebida de Baco...
No intervalo das aulas (e também durante as mais chatas...), a turminha corria pro CA. A colega Regina (que continua magrinha e casada com o Cláudio após tantos anos) era viciada em Janis Joplin. Regininha só sabia tocar e cantar o repertório da Janis, assim como o Fifi (leia-se Rodrigo) só cantava e tocava bossa-nova; já a Sarah só gostava de pular ao som do recém inventado axé, da então iniciante Daniela Mercury... E eu, depois do terceiro ou quarto copo, gosto de qualquer coisa! rssss

Embalados pelo vinho barato e pelo violão "jopliniano" da Regina, soltávamos as vozes que ecoavam pelo Campus...
Todo mundo era "backing vocal". Nos olhos, cada um carregava a incerteza do futuro. Éramos tão novinhos e destemidos...
Como Goiás é pequeno e os meios de comunicação são poucos, depois de formados, continuamos sendo colegas de trabalho.
Com o tempo, cada um traçou sua própria personalidade profissional. Alguns optaram pela falta de ética, pelo puxa-saquismo e pela desonra (esses estão ricos...). Melhores amigos romperam a amizade, num caminho sem volta de mágoa, intrigas e puxação de tapete... Uns já foram pro "andar de cima", precocemente. Outros poucos continuam amigos e/ou fiéis às suas convicções éticas.
Por fim, nem sei porque lembrei disso.
Meu coração está destroçado por outro motivo. Não quero pensar em mais nada e em ninguém.
Hoje só quero ser backing vocal da Janis Joplin.


Oh, come on, come on, come on, come on!

Didn't I make you feel like you were the only man —yeah!
Didn't I give you nearly everything that a woman possibly can ?
Honey, you know I did!
And each time I tell myself that I, well I think I've had enough,
But I'm gonna show you, baby, that a woman can be tough.

I want you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby!
Oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart now, darling, yeah, yeah,yeah.
Oh, oh, have a!
Have another little piece of my heart now, baby,
You know you got it if it makes you feel good,
Oh, yes indeed.

You're out on the streets looking good,
And baby deep down in your heart I guess you know that it ain't right,
Never, never, never, never, never, never hear me when I cry at night,
Babe, I cry all the time!
And each time I tell myself that I, well I can't stand the pain,
But when you hold me in your arms, I'll sing it once again.

I'll say come on, come on, come on, come on and take it!
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby.
Oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart now, darling, yeah,
Oh, oh, have a!
Have another little piece of my heart now, baby,
You know you got it, child, if it makes you feel good.

I need you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby!
oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart, now darling, yeah, c'monnow.
oh, oh, have a
Have another little piece of my heart now, baby.
You know you got it —whoahhhhh!!

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Fragmento




Registro aqui um fragmento do trabalho do polêmico (e bota polêmico nisso!!!!) jornalista português (do Porto) Miguel Sousa Tavares.
Que Miguel Tavares me perdoe, mas tomo a liberdade de deixar, aqui no meu humilde espaço, trechos de um dos seus textos, que mais gosto, que pode ser encontrado, na íntegra, no livro "Não te deixarei morrer David Crockett", editora Oficina do Livro/2004. Ele escreveu esse texto em homenagem à mãe, a grande poetisa portuguesa Sophia Mello Breyner Andresen, já falecida.


(...)Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.

E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu pra sempre." (Miguel Sousa Tavares)